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Censo Quilombola: Dados revelam histórias e reafirmam ancestralidade

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    culturacaopg
  • há 4 dias
  • 2 min de leitura

Foto: Ministério da Cultura| Divulgação
Foto: Ministério da Cultura| Divulgação

A divulgação do primeiro Censo da População Quilombola pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) marcou um momento histórico para o reconhecimento dessas comunidades no Brasil. O evento “O Brasil Quilombola”, realizado na última quinta-feira (27) na Fundação Cultural Palmares, reuniu lideranças quilombolas, pesquisadores e representantes institucionais para celebrar essa conquista e discutir os impactos da pesquisa.


O levantamento responde a uma demanda antiga dos movimentos sociais, que há anos reivindicam visibilidade para suas histórias e realidades. Júnia Quiroga, representante do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), resumiu o significado desse avanço com uma metáfora simbólica: "Exu matou um pássaro ontem com uma pedra que só jogou hoje." Para as comunidades quilombolas, o censo representa um passo essencial na transformação de narrativas de resistência em ações concretas.


Retrato inédito da população quilombola


A pesquisa do IBGE preenche uma lacuna histórica, revelando que mais de 1,3 milhão de quilombolas vivem em cerca de 1.700 municípios brasileiros. Pela primeira vez, esses dados permitem dimensionar a presença dessas comunidades no país. Marta Antunes, diretora de pesquisa do IBGE, enfatizou a importância desse registro: "O censo nos permitiu ver o que antes não tinha forma oficial. Agora sabemos quantos são, onde estão e como vivem. Isso muda a forma de pensar as políticas para essas comunidades."


A partir dessas informações, abre-se um novo caminho para o desenvolvimento de políticas públicas mais alinhadas com as necessidades quilombolas. Antes, a ausência de estatísticas dificultava a criação de iniciativas voltadas especificamente para essa população. Agora, os dados permitem transformar números em estratégias concretas de inclusão e valorização.


Luta por reconhecimento e direitos


Para Arilson Ventura, coordenador da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), o censo não apenas documenta a presença quilombola, mas fortalece a luta por direitos. "Ter esses números é um passo fundamental para cobrarmos que as políticas públicas finalmente contemplem as demandas dos quilombolas. A resistência que herdamos de Zumbi dos Palmares está viva. E agora temos mais um instrumento para seguir em frente."


Apesar da conquista, o desafio continua. Questões como acesso à terra, saúde, educação e infraestrutura ainda fazem parte da realidade quilombola. O reconhecimento estatístico é um avanço, mas precisa ser traduzido em políticas eficazes que garantam dignidade às comunidades.


Compromisso com o passado e o futuro


João Jorge Rodrigues, presidente da Fundação Cultural Palmares, destacou que o censo representa um marco tanto simbólico quanto prático. Segundo ele, o Brasil dá um passo importante ao reconhecer oficialmente sua população quilombola: "O Brasil sempre teve uma relação ambígua com sua ancestralidade negra. Ter esses números registrados não é apenas estatística; é uma declaração de que essas comunidades existem, resistem e têm direito a políticas que atendam suas necessidades reais."


A publicação lançada pelo IBGE, disponível em formato digital, oferece uma visão detalhada sobre a distribuição geográfica dos quilombolas, além de informações sobre faixa etária, gênero e condições socioeconômicas. Organizado de maneira acessível, o documento busca ampliar o conhecimento sobre essas comunidades e impulsionar ações transformadoras.


Com informações: Ministério da Cultura



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